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Dizem que “filho de peixe, peixinho é”. Muitos artistas iniciam suas carreiras ainda crianças pelo simples fato de serem filhos de pais artistas. Nossos filhos nos acompanham nas gravações, nos teatros, crescem nos camarins... Na primeira oportunidade lá está estreando, fazendo gracinha, com cara de gente grande... Em sua maioria se especializam, aprofundam o conhecimento e se tornam profissionais sérios. Muitos são os exemplos: Shirley Temple (Foto), Bibi Ferreira, Marília Pera, Gloria Pires, Denis Carvalho, Hermes Baroli, Wendell Bezerra, etc. Por esse motivo, toda criança que inicia sua carreira é recebida como se fosse um filho ou neto do elenco ou de quem produz. De modo geral há sempre um olhar cuidadoso pra que a criança tenha respeitado o seu limite. Uma criança que trabalha com arte desenvolve qualidades e talentos que, muitas vezes, ficam adormecidos ou são sabotados em outras crianças. O artista mirim que atua em dublagem além do aprendizado cultural que cada obra lhe traz, também é estimulado a pesquisa e leitura. Além disso, a criança desenvolve a multi-atenção, superando dessa forma desvios de atenção e melhorando seu desempenho escolar. Muitas vezes, nós profissionais deparamos com pais não artistas trazendo seus pequenos filhos artistas em busca do sonho de uma vida melhor. E vemos esses pais assumirem o papel de empresários. Muitas famílias mudaram seu status social graças ao talento dos seus pequenos filhos. O fato de a criança poder ajudar no orçamento domestico não pode ser visto negativamente pois se trata de importante aprendizado de vida, desde que os responsáveis respeitem as disposições legais como o horário de estudo e descanso dessa criança, ambiente saudável, não cumulação de trabalho com outras casas, não realização de trabalhos em horários noturnos etc.. Quando uma produção artística contrata o pequeno ator, o faz por absoluta necessidade da obra e não com intenção de explorar o trabalho infantil como acontece em outras profissões. Na dublagem, por exemplo, a criança recebe o mesmo valor que qualquer profissional adulto por hora de trabalho. Algumas dessas crianças, por serem poucas a atuar, chegam a receber muito mais que a maioria dos atores do mercado. Esse fator pode eventualmente levar alguns pais a ultrapassarem o limite do saudável e pretenderem disponibilizar seus filhos para o trabalho muito além do ideal, o que não aceitamos e não devemos aceitar sob nenhuma circunstância. Quando uma empresa consulta sobre a disponibilidade da criança é o responsável (pai/mãe) quem diz qual o horário possível para a realização do trabalho solicitado. São os pais que organizam a agenda dos seus filhos. Pelo menos na dublagem a produtora sempre adéqua seus horários de gravação a agenda oferecida pelos pais, adota todas as providencias e cuidados, além de pagar rigorosamente o mesmo valor pago a qualquer outro profissional. O cuidado com o artista mirim vai muito além do respeito a lei vigente,deve incluir bom senso e orientação aos pais para que nossos pequenos artistas, respeitados hoje, se tornem grandes artistas não apenas talentosos mas também cidadãos cônscios de seus direitos e deveres.
ZODJA PEREIRA
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